domingo, 19 de julho de 2009

>Solve et coagula

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Deus me fez ateu
Para que eu pudesse sambar
O meu Death Metal incinerado
Cheio de ervas-doces e águas-de-cheiro
Como os cadáveres do almiscarado
Tempero do mar que cobre a ponte
De Åsgård.

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

>Vira e Mexe Modernismo

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Descaradamente

São lodos os meus parênteses que pululam de alergia
E eu me achando estanho: cad’ela?
Por debaixo da phonte ainda morrem
as mágoas de maço, em agonia,
butucas de pigarro inesquecidas além
do tal da física. Da tísica também.
Também da lírica.
Eu percebi exatamente o aposto:
A, bem monge esmo, dentro
Do Monteiro brio onde fermente nossas dores,
Cachaço que me retém intacto o olhar aposto aos molhos
A animália molhada por entre as tabernas
Transadas a preparar a transgressão dos colos
Transmite o cheiro fodido das flores
Pois tu, que me fezes da cédula embrionária,
Jogaste-me do leito ao exercício da mãe.
Lobos, Lobatos e lobotomias: tudo isso
Faz arte da minha genitália.

* * *

quarta-feira, 17 de junho de 2009

>Instante

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"A minha maior alegria é desevangelizar as massas". Tive o privilégio de ouvir o velho proferir essas palavras bem na hora em que eu ia passando para comprar uma cerveja na venda. Prodigioso.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

>Tema da noite

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Escrevi um soneto cheio de tristeza
Pra gente dar risada.
Começa assim (leia em voz alta):
“As estrelas são salpicos
Do sêmen da noite".

Desde os primeiros versos e a cada gole de vinho, esporros
E uma taça quebrada. Quero agora um cálice!
Atrai para mim este cálice, pai!
Por favor, um cálice! Um cálice!
Um cálice!, senão você me deixa louco!

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

>Amores Excretos IV

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Um jeito de
Quem carrega os mundos
Pela saliva de
Teu beijo nojento.

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quinta-feira, 19 de março de 2009

>Fadinha láctea

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Pedro, o bebê gay, neste momento chora.
Não sabe ele que o seu dentinho nasce.
E demora: enquanto sua gengiva arde,
A fralda na merda se atola.

Pedro está com disenteria.
Não passou no teste do pezinho.
E assim, vendo ele a chorar ninguém desconfia
Da homossexualidade de Pedrinho.


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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

>À primeira vista

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Foi no IML que eu (re)conheci meu grande amor.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

>Neste minuto morre uma criança

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Pequena linfa negra,
A sua arquitetura é pouca:
Cintilada por um cano
De consistência oca
Reflete suas vísceras
A lhes escorrer da boquinha.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

>Versos inversos

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Meu cordel é amador
Sempre fui um bom frustrado
No papel do monitor
Entre linhas do teclado
Minha vida se restringe:
Na hora de sonhar, se finge.

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

>Pois eu

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Estava com sono, mas não fui dormir. Liguei o rádio, a TV, a internet e fui tentar ler um livro. Li umas 14 páginas; cheirei umas 12. Uma lágrima esmaece um dégradé na página 22: "é a hora de dormir". Fui ao banheiro, “mijei” sentado e cochilei. Quando me dei conta, minha mulher se contorcia em contrações pré-parto. Era o momento em que eu deveria agir. Decidi, então, realizar o parto da minha própria filha. A criança nasceu morta. Uma música do Roberto Carlos é executada na rádio. O dia amanheceu em paz.


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>Desatualizando...

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Outro dia vi um sujeito com uma camisa em que havia uma frase: “O Capitalismo mata. Morte ao capitalismo”.
E mata mesmo: se não trabalhar, morre de fome.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

>Neomodernismo II - Ensaio sobre a catarata

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Toda regra tem sua exceção. E isso

É uma regra, ou seja: tem sua exceção.

Logo, nem toda regra tem sua exceção.

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>Neomodernismo I

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Estávamos numa sessão de arte:
O encontro sendo parte do infinito
Com o infinito encontro sendo parte.

Mas parte do infinito é infinito?
Ou julga ser finito o que reparte?
O fim do fim do fim do fim eu fito.

No céu, no sol, no dela, há um aparte:
Calor que arde até quando é escrito.
E eu finjo os olhos onde não tem arte.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

>Encontro

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Sentia-se todo desgostoso

no bar

acompanhado de uma loira gelada

até chegar uma morena quente.


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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

>Amores Excretos III *

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Um carinho na cabeça
(e entre os fios, dedos
c
a
i
n
d
o
suaves, cilíndricos e enxágües
a me delirar)
Do pênis.


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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

>Vestido

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Flores não são belas,

São flores.


Flor é você

Que é o avesso do meu ser.

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>A rosa

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Rosa
de espinho
Que fura
meu dedo
Que sangra
na rosa
Confunde
sua raça
Vermelha
embaça
Meu sangue
Ao rubro
Da rosa
Da taça
De vidro
Que quebra
E me corta.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

>Lema de mulher solteira:

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"Penso, logo excito."
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

>Triste Alegria

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Enfim, a vida:

Em fim a vida.


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terça-feira, 12 de agosto de 2008

>Amores Excretos II

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O enganador

Até engana

Quem ama

Mas não engana a dor.


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