Despindo-me das roupas do antropomorfismo:
já consigo visualizar,
pelos poros da costura,
o estio franzido
que ata os futuros vínculos.
São pessoas que se olham e não se veem,
que se beijam e não se tocam.
Uns anoitecem;
outros faltam luz.
Mas ambos muito dizem quando pouco falam.
***
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
>Pequenas vírgulas
Turva a chuva
decorrente
de afluência.
Sobe o raio e
na dúvida
usa a existência:
desconfia
do silêncio do cigarro.
***
decorrente
de afluência.
Sobe o raio e
na dúvida
usa a existência:
desconfia
do silêncio do cigarro.
***
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
>O ó
A cidade é longitudinal.
...
é vento que passa
...não é necessariamente cronológica.
A cidade não tem lógica.
É bairro duro,
sangue grego.
Cidade de bolso,
cidade que nem.
A idade da cidade que é
e que nunca deixa de é.
Fotografia móvel,
paradoxo incontestável,
o tempo é seu pior ladrão.
Do Oriente vem vento.
Mas por partes, apenas três movimentos,
tipo uma machadada na cabeça,
só sabe quem já esteve lá.
A cidade está em algum lugar.
***
...
é vento que passa
...não é necessariamente cronológica.
A cidade não tem lógica.
É bairro duro,
sangue grego.
Cidade de bolso,
cidade que nem.
A idade da cidade que é
e que nunca deixa de é.
Fotografia móvel,
paradoxo incontestável,
o tempo é seu pior ladrão.
Do Oriente vem vento.
Mas por partes, apenas três movimentos,
tipo uma machadada na cabeça,
só sabe quem já esteve lá.
A cidade está em algum lugar.
***
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
>Um revólver na mão e uma ideia na cabeça
de manhã
Quando frequento banheiros públicos:
só me vem deslombramento
sempre que levo uma pedra de crack
para casa.
O crack me ajudou a largar o cigarro.
de tarde
Volta, vodka.
Em
terras onde não - - - - - - ---- - - - - ------ - - -
há
(haha) bala perdida - - - - --- - - - -- - - - - - - - -
pois
ela tem endereço certo - -- - - - - -- - - --- ----- - - - - -
e
os cemitérios estão cheio - - - - - - -
de
corajosos, - - -- -- -- --
minha cruz é a dos ortodoxos. --- --- --- --- --- --- ---
fim de tarde
...por falar em religião,
a canonisa que me atende,
Esta sim,
é movida a cios e cilícios...
e,
prestados os serviços,
no clímax do meu anticlímax,
(o corpo tão febril e a mente tão táctil):
hay que endurecer um coração tão fácil.
de noite
Se eu usar este artifício em
meu próprio benefício,
o ócio vira vício.
de passagem¹
Al-coolismo ou cristianismo?
***
_____________
¹ Nuvem inútil que veste a lua
só para ser vista.
Quando frequento banheiros públicos:
só me vem deslombramento
sempre que levo uma pedra de crack
para casa.
O crack me ajudou a largar o cigarro.
de tarde
Volta, vodka.
Em
terras onde não - - - - - - ---- - - - - ------ - - -
há
(haha) bala perdida - - - - --- - - - -- - - - - - - - -
pois
ela tem endereço certo - -- - - - - -- - - --- ----- - - - - -
e
os cemitérios estão cheio - - - - - - -
de
corajosos, - - -- -- -- --
minha cruz é a dos ortodoxos. --- --- --- --- --- --- ---
fim de tarde
...por falar em religião,
a canonisa que me atende,
Esta sim,
é movida a cios e cilícios...
e,
prestados os serviços,
no clímax do meu anticlímax,
(o corpo tão febril e a mente tão táctil):
hay que endurecer um coração tão fácil.
de noite
Se eu usar este artifício em
meu próprio benefício,
o ócio vira vício.
de passagem¹
Al-coolismo ou cristianismo?
***
_____________
¹ Nuvem inútil que veste a lua
só para ser vista.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
>Maceió, 1928
Roupas,
Trapos,
Toalhas,
Guardanapos
E até o café:
Tudo cheirava àquela mulher.
Não uso mais sapatos
Nem gravata...
Nem subo mais ladeira,
dói a bunda.
Esta tarde
arde a cada calçada
e a décima segunda-feira
Está oca de fome.
Nada deve haver:
a mulher não tinha nome.
***
Trapos,
Toalhas,
Guardanapos
E até o café:
Tudo cheirava àquela mulher.
Não uso mais sapatos
Nem gravata...
Nem subo mais ladeira,
dói a bunda.
Esta tarde
arde a cada calçada
e a décima segunda-feira
Está oca de fome.
Nada deve haver:
a mulher não tinha nome.
***
terça-feira, 9 de agosto de 2011
sábado, 23 de julho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
>Panorâmica
(Sob)
Bafo de areia.
A cara
folheia
viradas páginas
mesquinhas
Entre_ímãs,
como alguém
que pudesse
ver Leviatans.
Fecha o livro:
ser perto
nem de longe
foi ser preto,
encontro
de slogans.
Cidade-mais-Manhattan.
dínamos
dos ramos
acendem aortas
bígamos
santos
e a poesia
de tudo quanto é morta,
na costa
de tudo quanto é mar.
Bafo na cara
cospe o perfume
dos cardumes:
hahahaha.
***
Bafo de areia.
A cara
folheia
viradas páginas
mesquinhas
Entre_ímãs,
como alguém
que pudesse
ver Leviatans.
Fecha o livro:
ser perto
nem de longe
foi ser preto,
encontro
de slogans.
Cidade-mais-Manhattan.
dínamos
dos ramos
acendem aortas
bígamos
santos
e a poesia
de tudo quanto é morta,
na costa
de tudo quanto é mar.
Bafo na cara
cospe o perfume
dos cardumes:
hahahaha.
***
domingo, 5 de junho de 2011
>Teoria II - Circuncisado pelo sistema
Poeta de respeito,
escreveu
dez
palavras
e não
fez poema.
***
escreveu
dez
palavras
e não
fez poema.
***
quinta-feira, 28 de abril de 2011
>Dúvida
Por que não harmonizarmos com a prudência
De um cientista subjetivista
Todas as concepções morais e sociais
Crônico-contemporâneas
Na tentativa de compreender a
Complexa diversidade de nossa
Experiência sensível, considerando que
Todo progresso realizado até agora
Se encarregará de organizar a humanidade
A fim de, a partir daí, organizar a Deus
De maneira lógica e uniforme
Sob a égide sistemática do pensamento estrutural
Através do qual suas ordenações resultantes
(acidentais ou não) derivem de um processo
Extremamente hipotético, sujeito a controvérsias, cuja
Aplicabilidade esteja voltada para a observação direta
Dos fenômenos históricos ultrapassados em si mesmos
Até que se obtenha um testemunho
Filologicamente convincente e único
Sempre debatendo filosofia
Como se entendêssemos alguma coisa?
***
De um cientista subjetivista
Todas as concepções morais e sociais
Crônico-contemporâneas
Na tentativa de compreender a
Complexa diversidade de nossa
Experiência sensível, considerando que
Todo progresso realizado até agora
Se encarregará de organizar a humanidade
A fim de, a partir daí, organizar a Deus
De maneira lógica e uniforme
Sob a égide sistemática do pensamento estrutural
Através do qual suas ordenações resultantes
(acidentais ou não) derivem de um processo
Extremamente hipotético, sujeito a controvérsias, cuja
Aplicabilidade esteja voltada para a observação direta
Dos fenômenos históricos ultrapassados em si mesmos
Até que se obtenha um testemunho
Filologicamente convincente e único
Sempre debatendo filosofia
Como se entendêssemos alguma coisa?
***
>O que diz o dicionário sobre o meretrício
As uvas são feitas de vinho
E nos embriaga a cada era
Como se fôssemos
Rótulos.
Nunca vi tanto vinho virar uva.
Sua pele é rara
E seus filhos nascem
Póstumos.
***
E nos embriaga a cada era
Como se fôssemos
Rótulos.
Nunca vi tanto vinho virar uva.
Sua pele é rara
E seus filhos nascem
Póstumos.
***
>Sempre naquela
O corpo de Deus tocou meu corpo;
Excitei-me.
Lançou em mim um olhar de fé
Como um olhar de Mulher
Molhado na areia,
Às espumas.
Sei que tenho coração, mas não o possuo
(concluo).
Desamarelada,
Essa graça,
Essa troça,
De renascença aça,
Mulher-raça,
Pálida Mama-África
Jurubeba bêba
Toca o sexo e deixa
De ressaca,
Mas Deus não está se importando;
Deus tá cagando e andando.
***
Excitei-me.
Lançou em mim um olhar de fé
Como um olhar de Mulher
Molhado na areia,
Às espumas.
Sei que tenho coração, mas não o possuo
(concluo).
Desamarelada,
Essa graça,
Essa troça,
De renascença aça,
Mulher-raça,
Pálida Mama-África
Jurubeba bêba
Toca o sexo e deixa
De ressaca,
Mas Deus não está se importando;
Deus tá cagando e andando.
***
sábado, 15 de janeiro de 2011
>Teoria
Minha sombra é virgem
(nunca levou sol)
E tem a cor das cores.
Sombra negativa, feita de física,
Premissa com gosto de sabores,
De contorno ótimo.
Fazer-se dia passada a luz
É traduzir os caminhos
Que tu fores.
Mas qual! E o vilão dos eleitores,
Herói de tantos ócios,
Não passava de um muro!
Tanto agouro se passou, tanto fóssil,
Só uma teoria restou:
O presente é o futuro
Infinitamente próximo.
***
(nunca levou sol)
E tem a cor das cores.
Sombra negativa, feita de física,
Premissa com gosto de sabores,
De contorno ótimo.
Fazer-se dia passada a luz
É traduzir os caminhos
Que tu fores.
Mas qual! E o vilão dos eleitores,
Herói de tantos ócios,
Não passava de um muro!
Tanto agouro se passou, tanto fóssil,
Só uma teoria restou:
O presente é o futuro
Infinitamente próximo.
***
domingo, 12 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
>Pé de pau
Pa Crarinha
frô,
déi frô,
mói de frô
uma frônelada.
frô, frô, frô
uma frô amarela
uma nêga frô
muitas frô
de muitas côr
FRÔ PA TU
FRÔ PA EU
FRÔ, FRÔ
QUE LINDA FRÔ MÔ DEUSI!
***
frô,
déi frô,
mói de frô
uma frônelada.
frô, frô, frô
uma frô amarela
uma nêga frô
muitas frô
de muitas côr
FRÔ PA TU
FRÔ PA EU
FRÔ, FRÔ
QUE LINDA FRÔ MÔ DEUSI!
***
domingo, 12 de setembro de 2010
>Cinco poemas de amor (segunda parte)
I
Puta que pariu
gêmeos
se confode por não saber
se são machas ou fêmeos.
II
Como é gostoso
o cheiro do xixi do meu amor
(o do seu cocô
é mais cheiroso).
III
A menina
era priápica.
Não precisa
dizer nada.
IV
Nota:
Este poema não teria sentido
se antes de masturbá-lo
eu o tivesse fodido.
V
Moça de 15 anos
a idade é pouca,
mas tem a capacidade
de tirar do cu e pôr na boca.
***
I
Puta que pariu
gêmeos
se confode por não saber
se são machas ou fêmeos.
II
Como é gostoso
o cheiro do xixi do meu amor
(o do seu cocô
é mais cheiroso).
III
A menina
era priápica.
Não precisa
dizer nada.
IV
Nota:
Este poema não teria sentido
se antes de masturbá-lo
eu o tivesse fodido.
V
Moça de 15 anos
a idade é pouca,
mas tem a capacidade
de tirar do cu e pôr na boca.
***
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
>Ser-mar
Barco de lenha
(ou carga temerária).
Afundará aos poucos
ainda que sejam lâmina
cortante forem os rios.
Ainda que lhes venha
navegar
com polida madeira
de árvore prenha.
Talvez vá se destacar
quando secar o mar.
***
>Helləlûyāh
A onda do nada
aonde for
será minha palavra.
A ordem, o fogo:
queimarei se for celeste.
Terei nas mãos
meteoros-
de-todos-os-santos.
Se os prantos e as pestes
não vierem,
a onda vai se desfazer em nada
e a palavra quebrará
na margem do olhar.
Quem não perceber
é porque não a tem.
***
A onda do nada
aonde for
será minha palavra.
A ordem, o fogo:
queimarei se for celeste.
Terei nas mãos
meteoros-
de-todos-os-santos.
Se os prantos e as pestes
não vierem,
a onda vai se desfazer em nada
e a palavra quebrará
na margem do olhar.
Quem não perceber
é porque não a tem.
***
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